LESÕES DE CARTILAGEM

O QUE É A CARTILAGEM?

A cartilagem articular é um tecido conjuntivo especializado que forma as superfícies de sustentação de carga de todas as articulações sinoviais. As principais funções da cartilagem são fornecer uma superfície de baixa fricção (mínimo atrito) para o movimento evitando o contato direto “osso com osso” e absorvendo o impacto.

A cartilagem saudável tem aspecto liso e homogêneo de aproximadamente 2 a 5mm de espessura, quando pressionada é firme e resiste à deformação. Por ser um tecido avascular, as condropatias ou lesões de cartilagem possuem capacidade de reparo bastante restrita.

 

COMO OCORREM AS LESÕES DE CARTILAGEM?

Podemos dividir de maneira didática as lesões de cartilagem em 3 grupos: lesões focais, lesões degenerativas (artrose do joelho) e condromalácia patelar.

As lesões são chamadas de focais quando acometem apenas um local do joelho, mantendo o restante do joelho preservado. As lesões focais agudas normalmente ocorrem após algum tipo de trauma (ex: luxação da patela, entorses, traumas diretos) provocando um dano localizado na cartilagem.

Outro causa de lesão focal é a osteocondrite dissecante. Trata-se de uma doença, mais comum em adolescentes e adultos jovens, que afeta a cartilagem e o osso subcondral podendo provocar o destacamento de um fragmento osso com cartilagem.

 

As lesões degenerativas da cartilagem (artrose do joelho) geralmente ocorrem em pessoas com idade mais avançada ou que apresentam algum fator predisponente para o desgaste (mal alinhamento do membro, fraturas ao nível do joelho, lesões ligamentares do joelho, lesões de menisco, cirurgias prévias no joelho). A lesão ocorre de maneira difusa, associada a degeneração de outras estruturas do joelho.

 

Apesar de agrupado entre as lesões de cartilagem, a condropatia/condromalácia patelar apresenta fisiopatologia um pouco diferente do já citado anteriormente sendo que, na maioria das vezes, os seus sintomas são decorrentes de um desequilíbrio musculoesquelético. Para saber mais CLIQUE AQUI.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DAS LESÕES DE CARTILAGEM?

O principal sintoma da lesão de cartilagem é a dor que varia conforme a localização e tamanho da lesão. É comum a dor estar associada a inchaço no joelho e estalidos.

Lesões crônicas não tratadas ou agudas de alto impacto podem apresentar soltura de fragmentos da cartilagem e sintomas de travamento e “sensação de algo solto dentro do joelho”.

 

Inicialmente os sintomas costumam ser piores durante atividades mais intensas ou grandes esforços da articulação (ex: atividades com salto, escadas, subidas e descidas). Conforme ocorre progressão da lesão, a dor pode se tornar frequente e apresentar-se durante atividades do dia a dia ou em repouso.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é feito pelo médico especialista baseado em uma anamnese e um exame físico detalhados associados aos exames complementares. O exame físico é fundamental para identificar o local exato da dor para correlacionar com o exame de imagem auxiliando para um diagnóstico mais preciso.

O principal exame de imagem para avaliação das lesões focais da cartilagem é a ressonância magnética. Através desse exame, é possível avaliar o tamanho e a profundidade da lesão, assim como a gravidade, identificar se há algum fragmento solto de cartilagem (“corpos livres”) e propor o melhor tratamento.

 

Outros exames complementares como as radiografias são importantes para avaliar se há alguma deformidade/desvio do membro afetado auxiliando na definição do melhor tratamento para a lesão.

COMO É O TRATAMENTO DAS LESÕES DE CARTILAGEM?

O tratamento das lesões de cartilagem depende de uma série de fatores como:

- Tamanho e localização das lesões.
- Presença de outras lesões associadas (ex: ligamentos, meniscos).
- Alterações de alinhamento do membro.
- Intensidade dos sintomas.
- “Nível de sobrecarga” do joelho para as atividades diárias.

Na maioria dos pacientes o tratamento inicial é realizado sem cirurgia.

TRATAMENTO CONSERVADOR (NÃO CIRÚRGICO) DAS LESÕES DE CARTILAGEM DO JOELHO

  1. Reabilitação com fisioterapia seguida por manutenção dos exercícios de fortalecimento muscular
    A fisioterapia é de extrema importância para ajudar no controle da dor e do inchaço do joelho além de contribuir com a melhora de mobilidade e corrigir os desequilíbrios musculares.
  2. Controle de peso
    Ë recomendável que paciente com sobrepeso ou obesidade realizem redução do peso corporal, pois o joelho, por ser uma articulação de carga, é diretamente afetado pela variação do peso. Algumas atividades podem submeter o joelho à força equivalente a 5 – 7 vezes o peso corporal.
  3. Evitar/diminuir atividades de maior impacto
    Adequar os exercícios e demais atividades diárias conforme a intensidade dos sintomas, tamanho das lesões e nível de condicionamento.
  4. Medicamentos analgésicos/anti-inflamatórios para controle dos sintomas
    Podem funcionar como boa opção de tratamento nos quadros mais agudos para controle da dor e do inchaço.
  5. Uso de órteses e palmilhas
    Podem auxiliar com melhor distribuição de carga na articulação.
  6. “Medicações para cartilagem”
    É importante esclarecer que essas medicações não apresentam comprovação de promover a regeneração da cartilagem. Porém alguns pacientes podem apresentar melhora da dor como uso de medicações como colágeno, glicosamina com condroitina e outros nutracêuticos permitindo que a reabilitação seja feita de maneira mais eficaz.
  7. Infiltração do joelho com corticóide e com ácido hialurônico (viscossuplementação)
    Infiltração com corticóide causa diminuição temporária da dor devido ao seu efeito anti-inflamatório.
    O ácido hialurônico também não promove a regeneração da cartilagem, mas podem ajudar na melhora dos sintomas através do aumento a viscosidade do líquido sinovial e diminuição dos mediadores inflamatórios que contribuem para a manutenção da dor. Para saber mais CLIQUE AQUI.

TRATAMENTO CIRÚRGICO DAS LESÕES DE CARTILAGEM DO JOELHO

O tratamento cirúrgico é indicado nas seguintes situações:

- Casos mais graves em que as lesões condrais são maiores e mais profundas.
- Outras lesões associadas que necessitem de cirurgia (ligamento, meniscos...).
- Falha do tratamento não cirúrgico.

A técnica cirúrgica a ser utilizada para o tratamento da lesão focal depende de uma série de fatores como tamanho, localização, viabilidade do fragmento de cartilagem e leito da lesão, disponibilidade de área doadora etc.

A seguir, algumas das técnicas cirúrgicas utilizadas:

  • Microfraturas
    Retiram-se os fragmentos da cartilagem inviáveis, desbrida o leito da lesão e realiza-se pequenos furos no osso abaixo da cartilagem permitindo que o sangue da medula óssea extravase para o local da lesão estimulando a formação de uma fibrocartilagem.
 
  • Fixação In Situ
    Técnica utilizada para casos de osteocondrite dissecante ou fratura osteocondrais em que há um fragmento viável de osso e cartilagem para fixação.
 
  • Transplante Osteocondral Autólogo (Mosaicoplastia ou OATS)
    Retiram-se cilindros de até 10mm de diâmetro de cartilagem e o osso subcondral em áreas do joelho com pouca carga (menos utilizadas) e são transportados para a área da lesão condral.
 
  • Membrana de Colágeno
    Após o preparo do leito da lesão utilizando uma técnica de estimulo biológico (microfraturas, aspirado de células tronco mesenquimais ou condrócitos da cartilagem), a lesão é coberta por uma membrana de colágeno, de material absorvível, permitindo o crescimento de células com melhor potencial de regeneração da cartilagem.
    A principal vantagem é a utilização para tratamento de lesões maiores evitando a necessidade de remoção de vários cilindros de áreas doadoras como no transplante autólogo.
 
  • Transplante de Aloenxerto Osteocondral a Fresco
    É realizado transplante de cartilagem e osso, proveniente de um banco de tecidos, de um doador falecido assim como ocorre com transplantes de fígado, córnea, coração entre outros.
    A principal limitação da técnica é a disponibilidade e armazenamento de tecidos.
 

REABILITAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA DAS LESÕES CONDRAIS

O processo de reabilitação pós-operatória das lesões condrais é variável e individualizado e depende, sobretudo, da localização da lesão condral e do tipo de técnica cirúrgica realizada.

Alguns procedimentos necessitarão restrição de mobilidade ou de carga no membro operado até ocorrer a cicatrização do local operado sendo necessário o acompanhamento com profissionais experientes no tratamento desse tipo de lesão evitando a falha do tratamento cirúrgico.

Além da reabilitação com fisioterapia visando a recuperação completa do arco de movimento do joelho e fortalecimento muscular, é importante manter um bom controle de peso e adequação da intensidade das atividades físicas diárias para prevenção da formação de novas lesões.

Dr. Diego Moelas Sotini
Especialista em Cirurgia de Joelho e Artroscopia.
CRM-SP: 171506 | RQE: 93748

 

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