CONDROMALÁCIA PATELAR

O QUE É O CONDROMALÁCIA PATELAR?

Condromalácia patelar significa amolecimento da cartilagem do osso da patela. Porém antes de compreendermos porque a condromalácia causa tanto desconforto, é necessário entender um pouco mais sobre o funcionamento do joelho e da cartilagem.

A cartilagem articular é um tecido conjuntivo especializado composto por proteína hidratadas dentro de uma matriz de fibras de colágeno e organizado de modo a oferecer superfícies de atrito extremamente baixas e permitir um movimento em vários planos sendo capaz de resistir ou transmitir forças repetitivas.

À medida que a articulação do joelho se move, a patela (osso que fica na frente do joelho) desliza sobre a tróclea do fêmur (osso da coxa) funcionando como uma espécie de “trilho”. A cartilagem da patela é a mais espessa do corpo humano, sendo que a cartilagem da articulação patelofemoral pode ser submetida a cargas de até 6 a 7 vezes o peso do corpo. Isso ocorre sobretudo durante a prática de atividades diárias como subir e descer escadas, corridas ou exercícios de salto.

Na ausência de lesão ou doença, a cartilagem articular pode permanecer intacta e funcional durante toda a vida, embora traumas ou excesso de peso possam acelerar a sua degeneração.

A condromalácia patelar é considerada um dos motivos mais comuns que levam os pacientes a procurarem um especialista em joelho, sendo a principal causa de dor crônica anterior no joelho.


CAUSAS DA CONDROMALÁCIA PATELAR?

Alterações anatômicas

Quando a congruência entre a tróclea e a patela não é muito adequada, como ocorre nas displasias trocleares, a distribuição da pressão sobre a superfície patelar ocorre de maneira inadequada. Na maioria das vezes, ocorre uma elevada em apenas um dos seguimentos da cartilagem patelar, levando à sobrecarga e degeneração acelerada.

Isso também pode ser visto nos casos em que ocorre báscula da patela ou em que a patela se encontra em uma altura acima do normal (“patela alta”)

Lesões prévias

Lesões prévias na patela (ex: fraturas e/ou luxações patelares) assim como lesões ligamentares não corrigidas (ex: lesão do ligamento cruzado posterior) provocam aumento da pressão de contato da patela contra a tróclea aumentando o risco de degeneração da cartilagem patelar.

Peso

Pessoas com excesso de peso apresentam aumento das forças de cisalhamento na cartilagem da patela, pois a musculatura da coxa necessita realizar um maior esforço para suportar o peso e para executar os movimentos.

Distúrbios biomecânicos

A condromalácia está intimamente associada aos distúrbios biomecânicos. Alterações de equilíbrio e alinhamento dos membros inferiores provocam o funcionamento inadequado dos membros inferiores durante as atividades do dia a dia e atividades esportivas.

Entre os distúrbios mais comuns, destaca-se o valgo dinâmico. É um desequilíbrio muscular entre o músculo glúteo médio (responsável por estabilizar a bacia) e o quadríceps femoral (responsável pela extensão do joelho), muito comum em mulheres e que ocorre durante o movimento combinado de ambos. Exercícios que envolvam agachamento ou aterrisagem, por exemplo, podem apresentar o valgo dinâmico durante a sua execução ocasionando a lateralização da patela e sobrecarga da cartilagem.

Esporte

Conforme dito anteriormente, alguns esportes apresentam maior sobrecarga da articulação patelofemoral durante a sua execução como corridas e esportes que envolvem salto. A musculatura do quadríceps femoral é a principal responsável pela estabilização do joelho e por tornar o movimento da patelofemoral mais fino e com menor impacto.

Quando essa musculatura está fraca ou o padrão da contração muscular está insuficiente, como nos momentos de fadiga, o movimento da patela na tróclea ocorre de maneira mais desordenada. Com isso, a cartilagem da patela é sobrecarregada, recebendo grande parte do impacto do movimento, provocando amolecimento e degeneração.

Atividade física de alta intensidade

Há relatos de que o exercício físico moderado aumenta a síntese das proteínas que compõem a cartilagem articular além de aumentar a sua rigidez contribuindo para a sua proteção. Porém a prática esportiva de alta intensidade apresenta carga excessiva (alta magnitude ou longa duração), além dos limites fisiológicos suportados pela cartilagem, aumentando a susceptibilidade do tecido às microlesões e à degeneração.


QUAIS SÃO OS GRAUS DA CONDROMALÁCIA PATELAR?

Segundo a classificação de Outerbridge para as lesões de cartilagem, podemos classificar em 4 graus distintos:

Grau I: amolecimento da cartilagem
Grau II: fibrilação (fissuras superficiais)
Grau III: lesão parcial da cartilagem (fissuras profundas), mais de 50% de extensão
Grau IV: lesão total da cartilagem, ocorre formação de erosões ósseas


QUAIS OS SINTOMAS DA CONDROMALÁCIA PATELAR?

O principal sintoma é a dor difusa e na parte anterior do joelho que surge ou piora após longo período sentado com o joelho dobrado ou agravada pela atividade física e atividades do dia a dia como subir e descer escadas, correr, pular, agachar.

É comum estar associada a estalidos, crepitações e, em alguns casos, inchaço.

Alguns pacientes relatam “sensação de aperto” no joelho, “incômodo articular” e “rangido”.


COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é realizado através da história clínica do paciente com os sintomas citados anteriormente, exame físico detalhado realizado por um ortopedista especialista em joelho.

Exames de imagem são necessários para confirmação diagnóstica E para excluir a presença de outras lesões concomitantes. Entre os exames disponíveis, temos a ressonância magnética que é um exame fundamental para avaliar o grau da lesão além de auxiliar na programação do tratamento.


COMO É O TRATAMENTO?

O tratamento inicial visa controle da dor e da inflamação no joelho. Podem ser utilizadas medicações analgésicas e anti-inflamatórias que ajudarão no controle e alívio da dor mais aguda.

É necessário identificar quais são as causas da condromalácia e realizar a correção dos distúrbios biomecânicos para reduzir a pressão na patela. Sob auxílio de um bom fisioterapeuta, é priorizado fortalecimento muscular dos abdutores do quadril e quadríceps femoral, para ajudar no controle do valgo dinâmico, associado ao alongamento de cadeia posterior da coxa.

Em alguns casos é necessário realizar controle/diminuição de peso e modificação das atividades diárias que sobrecarreguem a articulação patelofemoral.

Quando a dor ocorre devido treinamento excessivo, é necessário realizar redução do volume de treinos ou mudança temporária da modalidade durante a correção dos distúrbios biomecânicos.

O uso de medicações para proteção da cartilagem, conhecidos como condroprotetores, ainda é controverso na literatura quanto à eficácia, porém pode ser útil no controle da inflamação e da progressão da degeneração da cartilagem.

A infiltração do joelho com corticosteróides deve ser evitada devido ao efeito deletério desse tipo de medicamento para a cartilagem.

A infiltração do joelho com ácido hialurônico (viscossuplementação) é uma ferramenta bastante utilizada que é indicada principalmente para os casos com lesões mais avançadas da cartilagem. Esse tratamento visa controle da reação inflamatória do joelho proveniente da condropatia associado ao controle/estabilização do dano ao tecido cartilaginoso. Os pacientes em geral referem melhora dos sintomas pelo período médio de 6 meses a 1 ano após aplicação.

O tratamento cirúrgico é reservado para os casos em que o tratamento conservador teve resultados insatisfatórios e para alguns casos que apresentam lesões únicas e sintomáticas de cartilagem.

Dr. Diego Moelas Sotini
Especialista em Cirurgia de Joelho e Artroscopia.
CRM-SP: 171506 | RQE: 93748

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