LESÕES DO MENISCO

O QUE É O MENISCO?

É uma estrutura de fibrocartilagem em formato semicircular, semelhante a uma “meia-lua”, localizado na articulação do joelho, entre o fêmur (osso da coxa) e a tíbia (osso da perna), com cerca de 75% de colágeno em sua composição. Cada joelho tem 2 meniscos, um menisco lateral (na parte externa) em formato de “U” e um menisco medial (na parte interna) em formato de “C”.

QUAL É A FUNÇÃO DOS MENISCOS?

Os meniscos possuem várias funções importantes como transmissão de carga através da articulação, funcionando como uma espécie de amortecedor no joelho evitando que toda a carga seja transferida para a cartilagem e para o osso, melhorando a congruência articular entre o fêmur e a tíbia.

Além disso, participam da “lubrificação” do joelho, auxiliando na distribuição do líquido sinovial através da superfície articular e atuam como estabilizador (ajuda a manter o joelho no lugar).


COMO OCORRE A LESÃO MENISCAL?

As lesões meniscais podem ser divididas em 2 tipos:

- Traumáticas: ocorrem quando uma força excessiva é aplicada a um menisco previamente sadio excedendo a capacidade do menisco para deformar, geralmente após traumas como entorses ou luxações do joelho.
- Degenerativas: ocorrem em decorrência de forças normais sobre um menisco com tecido previamente degenerado, geralmente sem um histórico específico de trauma. É mais comum em pacientes com idade superior a 40 anos.

QUANDO DEVO SUSPEITAR DE UMA LESÃO MENISCAL?

O principal sintoma de uma lesão meniscal é a dor na interlinha articular do joelho, na parte interna (menisco medial) ou externa (menisco lateral), com períodos de melhora ou piora com movimentos de agachar ou girar em cima do joelho.

Além da dor, uma queixa bastante comum é inchaço (derrame articular) do joelho geralmente logo após o trauma que causou a lesão.

Também é comum a queixa de falseio do joelho. Os pacientes podem referir que “perderam a confiança” no joelho após uma lesão, sensação de que após algum movimento específico o joelho “sai do lugar, mas volta ao normal”. Podem ser vistas nas lesões em flap ou “alça de balde”, em que um pedaço do menisco fica deslocado e melhora o sintoma quando a lesão retorna à sua posição de origem. Os “travamentos” ocorrem quando a lesão é grande, e está deslocada, bloqueando o movimento de esticar e dobrar o joelho.


DIAGNÓSTICO E EXAMES COMPLEMENTARES PARA AVALIAÇÃO DAS LESÕES MENISCAIS

É fundamental um exame físico detalhado complementado por uma avaliação com radiografia (raio-X) e ressonância magnética.

A radiografia é o exame inicial que utilizamos principalmente logo após o trauma do joelho. Apesar desse exame não mostrar os meniscos, é importante para avaliar o joelho como um todo e poder descartar fraturas e luxações além de ser útil para avaliar se o joelho já apresentava algum sinal de desgaste (osteoartrose).

O melhor exame para avaliar uma lesão de menisco é a ressonância magnética.

Nas imagens acima vemos um exame de ressonância magnética. Os meniscos são as estruturas de aspecto triangular apontado pelas setas. Na figura A, podemos avaliar um menisco medial de aspecto normal, em que a sua porção posterior (seta maior) tem tamanho maior do que a sua porção anterior (seta menor). Na figura B, podemos avaliar um menisco lateral normal, em que as porções posterior e anterior têm o mesmo tamanho.

Já nessas imagens, podemos identificar 3 padrões diferentes de lesão de menisco. Na figura A, uma lesão complexa degenerativa na porção posterior do menisco (notem que o menisco apresenta várias traços brancos no seu interior, diferente do aspecto homogêneo dos meniscos das imagens anteriores). Na figura B, um lesão periférica vertical é identificada pela seta branca. Na figura C, uma lesão em alça de balde do menisco medial identificada pelas setas brancas na região entre os côndilos femorais.

O diagnóstico correto da lesão meniscal depende da história clínica + exame físico correlacionados aos exames de imagem, para identificar se a queixa do paciente é condizente com os exames. Essa correlação é muito importante principalmente naquelas lesões meniscais crônicas em que o paciente já apresentava dor por desgate no joelho e que pode confundir com “apenas uma lesão meniscal”.

Baseado nisso, podemos escolher o melhor tratamento para o paciente, evitando muitas vezes cirurgias ou procedimentos desnecessários.

Dr. Diego Moelas Sotini
Especialista em Cirurgia de Joelho e Artroscopia.
CRM-SP: 171506 | RQE: 93748

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