TENDINITE PATELAR
O QUE É A TENDINITE PATELAR?
A tendinite patelar, também conhecida como joelho do saltador (“jumper’s knee”), é uma inflamação do tendão que liga a patela (rótula) à tíbia. Trata se de uma das lesões por esforço repetitivo mais comuns dos atletas e esportistas de diversas modalidades, principalmente em atletas de elite e de esportes de salto, mas também podem afetar atletas que praticam outros esportes de impacto como a corrida de rua.


ANATOMIA E FUNÇÃO DO TENDÃO PATELAR
O tendão patelar é uma estrutura em forma de faixa forte e plana, de aproximadamente 5cm, que se origina na patela (rótula), insere se na tuberosidade anterior da tíbia (osso da perna) e compõe o mecanismo extensor do joelho.

Mecanismo extensor do joelho. Imagem do livro Insall e Scott – Cirurgia de Joelho - 5ª edição.
O mecanismo extensor do joelho é composto pela musculatura anterior da coxa (quadríceps femoral), patela e tendão patelar cuja principal função é realizar a extensão do joelho (movimento de esticar). Além disso, também é fundamental por controlar a desaceleração do movimento através da contração muscular chamada excêntrica.
O QUE CAUSA A TENDINITE PATELAR?
O esforço repetitivo com sobrecarga durante atividades de corridas e saltos é um importante fator etiológico para a tendinite patelar sendo comum em atletas de basquete, vôlei, futebol, atletismo, tênis e corrida de rua.
A sobrecarga do tendão patelar associada ao fortalecimento muscular inadequado é a principal causa para o desenvolvimento da tendinite patelar. A musculatura da coxa perde a capacidade de absorver o impacto, transferindo a sobrecarga ao tendão. Inicialmente ocorre uma inflamação do tendão patelar seguida por degeneração progressiva e ruptura do tendão caso não seja realizado o tratamento de maneira adequada.
Outros fatores como maior Índice de Massa Corpórea (IMC), alterações anatômicas na patela, falta de flexibilidade da musculatura da coxa, o aumento da frequência e intensidade dos treinos (Overtraining) sem o tempo de descanso adequado para a reparação tecidual também contribuem para o desenvolvimento da tendinopatia.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA TENDINITE PATELAR?
A dor anterior localizada logo abaixo da patela (rótula) é o principal sintoma da tendinite patelar. Inicialmente a dor pode ser observada após atividades físicas intensas, surgindo também durante a atividade e com dificuldade progressiva para a sua realização. Caso não seja realizado o tratamento adequadamente, o paciente pode apresentar dor inclusive durante a realização de atividades do dia a dia como subir e descer escadas e dirigir.
CLASSIFICAÇÃO DA TENDINITE PATELAR
Dependendo da duração dos sintomas, podemos classificar a dor da tendinite patelar em 4 graus segundo a classificação de Blazina modificada por Roels et al:
Grau I – dor apenas após atividade física, sem prejuízo funcional;
Grau II – dor durante e após atividade embora o paciente ainda é capaz de executar satisfatoriamente o seu esporte;
Grau III – dor durante e após atividade física, impossibilitando a pessoa a realizar o esporte;
Grau IV – ruptura completa do tendão exigindo reparação cirúrgica.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA TENDINITE PATELAR?
O diagnóstico da tendinite patelar é feito através de uma história clínica detalhada associada ao exame físico realizado por um especialista e confirmado através de exames complementares que são fundamentais para avaliação da localização e grau de comprometimento do tendão, identificação de outras lesões associadas e fatores predisponentes como alterações na anatomia do joelho ou biomecânica.

Figura A – edema ósseo (seta) e tendinite patelar (ponta da seta); Figura B – tendinite patelar crônica, observa se espessamento do tendão (ponta da seta); Figura C – ruptura completa do tendão patelar (ponta da seta). Imagens de ressonância magnética retiradas do livro Insall e Scott – Cirurgia de Joelho - 5ª edição.
QUAL É O TRATAMENTO NÃO CIRÚRGICO DA TENDINITE PATELAR?
O tratamento deve ser individualizado de acordo com o nível de atividade física e acometimento do tendão patelar. Inicialmente, deve se diminuir ou afastar temporariamente das atividades desencadeantes visando o controle da dor e evitar a progressão da lesão. Crioterapia e medicamentos para controle de dor auxiliam bastante na fase aguda.
A fisioterapia é parte importante do processo de reabilitação e deve conter exercícios de força excêntricos e de alongamento. Outros tratamentos conservadores como terapia por ondas de choque podem auxiliar no controle de dor e cicatrização da lesão.
Infiltrações com corticoides, apesar de causar alívio dos sintomas, são contraindicadas, pois aceleram a degeneração do tendão e podem causar ruptura precoce.
QUANDO DEVE SER OPERADO?
Nos casos de falha do tratamento não cirúrgico, pode ser realizada a cirurgia. A técnica cirúrgica depende de alguns fatores como: localização da tendinopatia (proximal, central ou distal) e das características do processo degenerativo do tendão (presença de calcificações, cistos ou rupturas parciais do tendão).
Nos casos de tendinite na região proximal, o tratamento pode ser feito por artroscopia ou aberto através do desbridamento do tendão doente e/ou ressecção do “bico” no polo inferior da patela. Já nas tendinites que acometem a região central e distal, a técnica aberta é a de escolha com remoção da área degenerada ou calcificada do tendão.
QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES?
A complicação mais comum é a dor persistente durante o esporte. A tendinite patelar pode se agravar e, durante uma contração abrupta do músculo quadríceps femoral, ocorrer a ruptura completa do tendão patelar. Nesse caso, ocorre uma ascensão da patela, incapacidade em realizar extensão do joelho (esticar) e de deambular. Essa é uma situação considerada de urgência e que necessita de tratamento cirúrgico imediato.
Dr. Diego Moelas Sotini
Especialista em Cirurgia de Joelho e Artroscopia.
CRM-SP: 171506 | RQE: 93748




